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Independência ucraniana

As mudanças democráticas da Ucrânia coincidem com aquelas do mapa geopolítico da Europa. No dia 24 de agosto de 1991, a Ucrânia proclamou a sua Independência. É de se ressaltar que a Ucrânia conseguiu a Independência pela terceira vez na sua longa história. Há mais de mil anos, formou-se o primeiro Estado Ucraniano, com o seu centro na cidade de Kyiv. Foi considerável sua contribuição à cultura mundial. Mas as invasões tártaro-mongóis no século XIII fizeram com que o Estado Ucraniano fosse dividido em vários estados. Nos séculos XVI e XVII, renasceu, como a República dos Kossacos, o país mais democrático da Europa daquela época. Seria suficiente frisar que o seu Presidente, o Hétman P. ORLYK serviu de modelo ao redigir-se a carta magna dos Estados Unidos da América.

Na República Kossaca a alfabetização era geral, sendo obrigatória e gratuita. Publicavam-se livros, florescia a arte, organizavam-se teatros e museus. Em 1632 foi fundada a Universidade na capital da República, esta logo se tornou importante centro de educação na Europa daqueles tempos. A Ucrânia dispunha de um magnífico exército, cuja tática de combate era reconhecida por toda a Europa. Não é nada casual que o Hétman da Ucrânia tenha sido nomeado o comandante-em-chefe das tropas unificadas de todos os exércitos da Europa, na luta com antigo Estado Turco. Como outrora, Kyiv que arcou com o peso do golpe destruidor dos tártaro-mongóis, banindo seu avanço, salvando a Europa da invasão da Idade Média, a República Kossaca resistiu aos ataques dos turcos à Europa.

Em geral, a história da Ucrânia é marcada pela luta em favor de sua Independência que foi conseguida só em 1918 que durou até 1920.

E, pela terceira vez, como conseqüência dos acontecimentos políticos em Moscou, onde fracassou a tentativa do golpe de Estado, o Parlamento da Ucrânia proclamou, no dia 24 de agosto de 1991, a plena Independência do País, que foi confirmada por plebiscito, no dia 1o de dezembro do mesmo ano. Ainda em Dezembro de 1991 adere à Comunidade de Estados Independentes (CEI). Leonid Kravchuk foi o primeiro presidente do novo país, sucedendo-lhe em 1994 Leonid Kuchma. A nove de Novembro de 1995 adere ao Conselho da Europa.

Após a independência e desintegração da URSS, as indústrias mineira, pesada e militar ucraniana entraram em crise. O desemprego atingiu níveis muitos elevados. Nas regiões ocidentais, a crise foi mais profunda e longa, obrigando milhões de ucranianos a emigrar para a Europa e Estados Unidos.

No meio de grandes conflitos sociais, a 28 de Junho de 1996, o parlamento aprovou a nova Constituição, instituindo um poder presidencial muito forte. O poder executivo é exercido pelo presidente, o primeiro-ministro e os respectivos ministros. O poder legislativo pertence a Rada (Parlamento) com 450 deputados, eleitos por quatro anos (metade por listas de partidos e metade por circunscrições majoritárias). Nas eleições parlamentarias de 2006, os deputados serão eleitos pela primeira vez exclusivamente por listas de partidos.

Leonid Kuchma (pró-russo), em 1999, voltou a ser reeleito presidente. Nas eleições presidências de Novembro de 2004, como era de esperar, voltaram a enfrentar-se as duas grandes tendências sociais da sociedade ucraniana, a pró-russa e a pró-ocidental.

Qual é a importância da Ucrânia independente?

Primeiro, deve-se mencionar que, numa situação geográfica muito favorável, localizada no centro da Europa, com magníficas condições climáticas, com uma população atual de cerca de 48 milhões e com um território superior a 600 mil quilômetros quadrados, a Ucrânia possui as fabulosas terras negras com o húmus natural mais fértil do planeta (quase 25 % das reservas mundiais), grande reservas de carvão, minério de ferro, níquel, titânio, manganês, urânio, etc. Com o seu potencial econômico e técnico-científico, a Ucrânia é um dos países mais desenvolvidos da Europa.

As estatísticas da UNESCO revelam que o complexo técnico - científico ucraniano constitui 6,5% do mundial, enquanto que a sua população corresponde a 0,1% do mundo. Na ciência, ocupa as primeiras linhas no desenvolvimento da tecnologia de construção de aviões e navios, na soldas elétricas, cibernéticas e em outras áreas. Possui bem formada infra-estrutura moderna. Nas costas do Mar Negro e do Mar de Azov encontram-se os complexos portuários de Odessa, Ilichivsk, Mykolayiv, Khersón, Mariupol, etc, que asseguraram aproximadamente 20% de todas as exportações da ex-URSS. Pelo território da Ucrânia passam vias fluviais e férreas, assim como estradas internacionais, 5 oleodutos e gasodutos transeuropeus, linhas de transmissão elétrica de alta tensão, o que dá ao País a possibilidade de ser considerado como uma espécie de ponte de ligação entre o Leste e o Ocidente da Europa.

Na ex-URSS, a Ucrânia produzia cerca de 40% de todo o volume do ferro fundido, do minério de ferro, do manganês e do carvão, 30 % de toda a construção de maquinaria pesada (mísseis, aviões de carga de grande porte, navios, locomotivas, tratores e retroescavadeiras etc), uma parte considerável do equipamento metalúrgico e energético (turbinas) e aproximadamente 50 milhões de toneladas de grãos anualmente. Produzia ainda 25% de todo o material bélico da ex-URSS. É por isso que hoje, é de suma importância para a Ucrânia solucionar o problema da conversão e reorientação de sua indústria militar para suprir as necessidades do seu povo.

Todo o exposto demonstra que a Ucrânia é um parceiro atraente para a cooperação econômica, sendo também um mercado de grandes possibilidades para os produtos estrangeiros. A economia nacional está em condições de satisfazer aproximadamente 80% de suas necessidades, com produção e reservas próprias, mas depende da importação de petróleo e gás (atualmente consome até 45 milhões de toneladas de petróleo, sendo a produção nacional de aproximadamente oito milhões de toneladas). Em seu território, que constituiu 3% da ex-URSS, eram produzidos mais de 40 % de todos os produtos do Estado soviético.




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